18 de abril de 2013

É plenamente possível ampliar a segurança energética no mundo, sem comprometer a segurança alimentar. Foi o que defendeu a coordenadora de Relações Institucionais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Luana Maia, durante discussão sobre o impacto dos biocombustíveis na produção de alimentos e de ração animal, na 4ª edição do Global Feed and Food Congress, em Sun City, na África do Sul.

Organizado pela International Feed Industry Federation (IFIF) com suporte técnico da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o evento aconteceu entre os dias 10 e 12 de abril. A participação da UNICA no Congresso é mais uma ação da parceria entre a entidade e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), dedicada a disseminar o etanol brasileiro de cana como alternativa energética limpa e renovável.

“A produção de etanol no Brasil vai além da produção de uma energia mais limpa, pois faz parte de um processo mais amplo, de diversificação da matriz energética brasileira, que já é uma das mais limpas do mundo. No Brasil, 44,1% de toda a energia utilizada é de origem renovável, o que reduz substancialmente a dependência do petróleo,” destacou Luana Maia.

Durante o painel “Seminário Biocombustíveis: oportunidades e desafios,” Maia descreveu a experiência brasileira, enfatizando que o etanol de cana produzido em larga escala há mais de 30 anos no Brasil ocupa apenas 1% do território nacional. Ela ressaltou que com esta área, o País tem substituído mais de um terço do consumo total de gasolina, além de gerar excedentes para exportação.

A representante da UNICA lembrou também que a área utilizada para cana no Brasil é sete vezes menor que a utilizada para a produção de grãos e 23 vezes menor do que aquelas dedicadas às pastagens, grande parte delas com baixíssima produtividade, com uma média de uma cabeça de gado por hectare. “Embora cerca de 70% da expansão da cana-de-açúcar tenha se dado majoritariamente em áreas de pastagem, o País já teve um ganho com o aumento da produtividade na pecuária. Ainda há muito espaço para ampliar a otimização do uso da terra, incluindo a expansão de outras culturas nessas regiões,” explicou.

Maia acrescentou que a cana-de-açúcar é a matéria-prima que oferece a mais alta produtividade para a produção de açúcar e etanol, e ainda é a que melhor se adapta a regiões onde há disponibilidade de terras aráveis em regiões tropicais.

“Outros fatores também contribuem para a produção de cana de forma mais sustentável, como a disponibilidade de terras que o Brasil oferece, um setor agrícola e industrial bastante eficiente e fortes leis de conservação que garantem uma grande quantidade de vegetação nativa protegida,” afirma. Maia destacou que vários destes fatores poderiam ser replicados em regiões com condições de clima e solo muito semelhantes às do Brasil, a exemplo de várias regiões da África.

Além disso, o etanol de cana reduz em até 90% a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE), quando comparado à gasolina. Todas essas razões fazem do etanol brasileiro um ‘case’ bem sucedido, apresentado durante o evento na África do Sul.

O painel também teve a participação do presidente da American Feed Industry Federation (AFIA), Joel Newman, que abordou o potencial que a produção de biocombustíveis pode ter no desenvolvimento sustentável da pecuária e do especialista para a produção animal da FAO, Harinder Makkar, que analisou como os co-produtos da produção de biocombustíveis podem ser usados na indústria de ração animal. A moderação foi do presidente da Ajinomoto Heartland, Daniel Bercovici.

Publicações Recentes

Preço do etanol atinge maior vantagem frente à gasolina desde 2018

Preço do etanol atinge maior vantagem frente à gasolina desde 2018

O etanol hidratado ampliou sua vantagem competitiva frente à gasolina comum, que chegou ao maior patamar dos últimos oito anos, desde 2018. Em São Paulo, o preço médio do etanol hidratado chegou a R$ 3,70/litro e a gasolina a R$ 6,39/litro na última semana. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Votação pelo nome do senador Rodrigo Pacheco para o TCU

Posicionamento UNICA sobre o E32

Os estudos que embasaram a adoção do E32 foram conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia, seguindo metodologia técnica construída no âmbito do Programa Combustível do Futuro, com participação de representantes do governo, da indústria automotiva, da cadeia de combustíveis e da academia.

Veja Também

Biocombustíveis geram 1,7 milhão de empregos no mundo

Ministério nega cartel e culpa carro flex por álcool caro

O coordenador-geral de Açúcar e Álcool da Secretaria de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Alexandre Betinardi Strapasson, negou, em audiência da Comissão de Defesa do Consumidor, a existência de cartel no setor produtivo do álcool combustível. Para...

ler mais
Biocombustíveis geram 1,7 milhão de empregos no mundo

Estudo aponta expansão sustentável para biocombustíveis no Brasil

A expansão da cultura de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil se dará de acordo com os padrões de sustentabilidade já existentes no país. É o que conclui o estudo “Implicações dos padrões de sustentabilidade dos biocombustíveis para o Brasil”, realizado em dezembro de 2009 e prestes a ser divulgado pelo Winrock In

ler mais