6 de junho de 2012

Modelo que fará voo usando querosene de canaA utilização de querosene renovável de aviação (QAV) produzido pela Amyris Inc. a partir da cana-de-açúcar em um jato Embraer 195 da Azul Linhas Aéreas, além de uma oportunidade comercial para a indústria sucroenergética, representa um avanço em busca da sustentabilidade no setor aéreo. O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, destaca o apelo ambiental do voo teste que será realizado no Brasil em 19 de junho, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), que ocorrerá no Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 22 do mesmo mês.

“Os biocombustíveis são o único caminho para a aviação civil interromper o crescimento da emissão de carbono até 2020, conforme as diretrizes estabelecidas pela Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA, na sigla em inglês). E o uso de querosene de cana neste contexto, principalmente no decorrer da Rio+20, onde se discutirão soluções para o desenvolvimento  sustentável do planeta, tem um peso estratégico para o Brasil e para o segmento sucroenergético nacional,” avalia o especialista da UNICA.

Szwarc explica que a oportunidade para a indústria canavieira está no fato do País importar atualmente aproximadamente 20% do QAV que consome, o que gera prejuízos cada vez maiores para a balança comercial do Pais. Em 2011, por exemplo, as importações de QAV representaram U$$ 1,4 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). Em 2012 este número já está em U$$ 560 milhões, total acumulado até o mês de abril.

“Nós da Amyris estamos muito entusiasmados em participar deste projeto em parceria com a Azul, GE e Embraer, envolvendo uma matéria-prima abundante no Brasil, que é cana. Este é, sem dúvida, o primeiro passo em direção ao uso comercial do QAV renovável,” afirma Joel Velasco, vice-presidente sênior para relações exteriores da Amyris. Nos próximos dias, as empresas envolvidas no desenvolvimento do produto prometem divulgar o plano de vôo de demonstração da Azul, cuja aprovação ainda depende de Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Emissões

O bioquerosene desenvolvido pela americana Amyris desde 2009, e que será misturado na proporção de 50% ao combustível fóssil no vôo teste que será equipado com motores da GE, foi desenvolvido para atender às especificações de combustíveis Jet A/A-1 e o mais importante: além de proporcionar desempenho equivalente aos combustíveis convencionais derivados de petróleo, o QAV renovável reduz significativamente as emissões de GEEs.

Segundo a Amyris, em breve será divulgado um estudo preciso quantificando este potencial de redução. O número, informa a companhia americana com escritório na cidade de Campinas (SP), está sendo levantado pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE), que avalia uma série de dados baseados em diversos padrões de sustentabilidade, como o Bonsucro, o Roundtable on Sustainable Biofuels e o Biofuel Scorecard, ferramenta desenvolvida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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